Quem é Você, Alice? beira 40 mil ouvintes e toca em Goiânia
Trio de Porto Alegre estreia na capital goiana neste domingo e leva ao palco a fase de Nem tudo é sobre amor.
Em poucas linhas
- O trio de Porto Alegre faz sua estreia em Goiânia com show no Setor Oeste.
- A turnê divulga o disco Nem tudo é sobre amor, que marcou a nova fase da banda.
- Conrad Fleck diz que as apresentações têm puxado o crescimento orgânico do grupo.
- A banda trabalha em novos projetos e em seu terceiro álbum, ainda sem anúncio oficial.
A banda Quem é Você, Alice? faz neste domingo seu primeiro show em Goiânia, no Shiva Alt-bar, no Setor Oeste. O trio de Porto Alegre chega à capital goiana em turnê de divulgação e celebra um ano do disco Nem tudo é sobre amor.
O que a banda leva ao palco em Goiânia
Formado por Vítor Pires, Milena Vardaramatos e Conrad Fleck, o grupo apresenta uma formação em que os três cantam e compõem. A configuração atual também mudou a dinâmica interna da banda, que passou a dividir mais responsabilidades na criação das músicas.
Conrad enxerga a fase como um ponto de consolidação. Na leitura dele, a turnê mostra que a banda encontrou um modo de funcionar que faz sentido tanto no estúdio quanto ao vivo, com um repertório pensado para evidenciar essa identidade construída em conjunto.
Esse desenho importa porque a quem acompanha a cena independente o show não chega como uma estreia isolada, mas como a apresentação pública de uma banda que reorganizou sua própria frente de composição. O palco, nesse caso, funciona como vitrine da mudança e também como teste de conexão com um público que ainda está conhecendo o projeto.
Como o disco mudou a trajetória do trio
O álbum que impulsionou essa etapa veio depois de Rolê Trevas pt. II e da saída do antigo vocalista. Em vez de travar o grupo, a troca abriu espaço para uma nova leitura do trabalho e acabou reposicionando a banda diante da própria discografia.
Conrad lembra que o primeiro disco já tinha boa repercussão na cena gaúcha, mas a nova fase foi além do alcance que ele imaginava. O que antes parecia uma transição delicada virou o ponto de partida de uma circulação maior fora do circuito local.
Ele conta que a mudança chegou a causar receio. A expectativa era prudente, sem garantia de que o público acompanharia a virada. A resposta, porém, foi mais forte do que o previsto e deu ao trio uma base mais ampla de ouvintes.
O resultado aparece também na escuta digital. Segundo o músico, havia incerteza até sobre a possibilidade de alcançar 10 mil ouvintes mensais, marca superada com folga depois da nova fase. Para ele, esse salto confirma que a recepção ao disco ultrapassou a bolha original e passou a dialogar com gente que não conhecia o grupo antes da mudança.
Por que o público chama o som de rock triste
O som da banda costuma receber rótulos como rock triste, emo caipira e shoegaze. Conrad afirma que os termos mais recentes surgiram do público, como tentativas de organizar em palavras um conjunto de referências que não nasceu com um nome fechado dentro do grupo.
Na visão dele, emo caipira e rock triste falam de momentos diferentes da trajetória. O primeiro se aproxima mais do disco de estreia, enquanto o trabalho atual já se afasta dessa etiqueta e investe em outra atmosfera.
O caso do shoegaze é mais ambíguo. Conrad reconhece influência, mas diz que a banda não tinha o gênero como escuta principal antes de gravar. A referência veio do produtor, que percebeu afinidade entre o som do trio e o estilo associado a guitarras com reverb, clima difuso e vocais mais etéreos.
Ele também faz uma ressalva sobre o próprio uso do termo. Para o músico, shoegaze virou uma palavra muito elástica, usada para bandas distintas demais entre si. Ainda assim, ele admite que o rótulo ajuda a apontar para uma parte da sonoridade que está no disco sem depender de explicações longas.
Onde ouvir o crescimento do grupo
A banda se aproxima de 40 mil ouvintes mensais no Spotify e, na avaliação de Conrad, esse avanço não veio só da internet. As turnês pesam bastante porque colocam o trio diante de plateias que muitas vezes nunca tinham ouvido falar do projeto.
O músico descreve um movimento simples: a banda chega, toca, desperta curiosidade e passa a circular em recomendações orgânicas. Quem vê ao vivo comenta, publica e compartilha, o que ajuda a abrir novas portas para as datas seguintes.
Esse processo ajuda a explicar por que o grupo aposta tanto em estrada. Em vez de tratar os shows apenas como divulgação, Conrad os vê como parte central do crescimento, quase como uma engrenagem que alimenta a fase atual da carreira.
Para o público de Goiânia, isso significa receber uma banda em plena expansão, ainda sem o peso de um repertório antigo extensíssimo, mas já com sinais claros de consolidação. O show vem num momento em que o projeto parece testar até onde pode chegar fora do Sul.
O que explica a cena de Porto Alegre
Conrad também associa a geração de bandas de Porto Alegre surgida a partir de 2020 a um ambiente mais melancólico. Em tom de brincadeira, ele relaciona o clima da cidade, frio, chuvoso e com menos luz no inverno, a uma espécie de estética do frio.
Na fala dele, a paisagem interfere diretamente na escrita. O caminho até os ensaios, o casaco, o ônibus e a cidade nublada entrariam como matéria-prima de muita música produzida por essa leva recente de grupos da capital gaúcha.
Mas o baterista faz uma distinção importante. O clima ajuda, porém não explica tudo. Existe também, segundo ele, uma movimentação mais ampla do rock autoral em direção a sonoridades mais tristes, além de uma herança estética deixada pelo emo, com a Fresno como nome local de peso nessa memória musical.
Esse recorte ajuda a situar o grupo dentro de uma cena maior. Quem é Você, Alice? não aparece isolada, mas como parte de uma geração que vem refinando referências e encontrando uma linguagem própria entre melancolia, guitarras e composição compartilhada.
O que vem depois da turnê
A agenda do trio não deve parar após a passagem por Goiânia. A banda trabalha em dois projetos, sendo que um deles segue mantido em segredo, enquanto o outro já é o desenvolvimento do terceiro álbum.
As composições assinadas pelos três integrantes estão em fase de seleção. Ainda não há anúncio oficial nem data para lançamento, mas a intenção declarada é aproveitar o momento de visibilidade para produzir novidades com rapidez.
Conrad diz que o grupo quer seguir lançando coisas enquanto o interesse está em alta. A ideia é transformar o ritmo de apresentações em combustível para a próxima etapa de estúdio, sem deixar a banda depender apenas do disco que atualmente sustenta a turnê.
Essa combinação de estrada e criação ajuda a entender o momento da banda. O show em Goiânia funciona tanto como estreia em uma nova cidade quanto como parte de uma estratégia maior de expansão de repertório, público e presença.
Quando é o show e como comprar ingresso
A apresentação está marcada para 20h e os ingressos são vendidos pela plataforma Shotgun. O local fica no Shiva Alt-bar, no Setor Oeste, onde a estreia da banda em Goiânia entra na programação de domingo.
Para quem acompanha rock independente brasileiro, a data reúne três elementos que interessam de imediato: a primeira passagem do trio pela cidade, a divulgação do disco que consolidou a nova fase e a chance de ver ao vivo uma banda em franco crescimento.
O contexto também ajuda a dar peso ao anúncio. Não se trata apenas de mais uma parada de turnê, mas de um passo novo para um grupo que saiu de uma reorganização interna, ganhou público fora da cena gaúcha e agora testa essa força em outra capital.
A expectativa, portanto, recai menos sobre um evento isolado e mais sobre o que ele sinaliza para a próxima etapa da banda. Goiânia recebe a estreia, mas o que está em jogo é a continuidade de um movimento que já alterou a trajetória do trio.
Perguntas frequentes
Onde será o show em Goiânia?
No Shiva Alt-bar, no Setor Oeste.
Quando a apresentação começa?
Às 20h.
Onde os ingressos estão à venda?
Na plataforma Shotgun.
Qual disco a banda está divulgando?
Nem tudo é sobre amor.
Perguntas frequentes
Onde será o show em Goiânia?
No Shiva Alt-bar, no Setor Oeste.
Quando a apresentação começa?
Às 20h.
Onde os ingressos estão à venda?
Na plataforma Shotgun.
Qual disco a banda está divulgando?
Nem tudo é sobre amor.
Fontes
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