Emmy sai da TV aberta e migra para o Prime Video até 2032
Acordo com a Amazon, válido até 2032, encerra o rodízio entre ABC, NBC, CBS e Fox e tira a premiação da TV aberta depois de 77 anos.
Em poucas linhas
- A Academia de Televisão e o Prime Video fecharam contrato de seis anos, válido até 2032, para a transmissão exclusiva do Emmy a partir de 2027.
- A negociação já vinha sendo discutida desde setembro, com o Prime Video como principal candidato a assumir os direitos.
- A cerimônia continuará gratuita em mais de 240 países, mesmo em uma plataforma paga por assinatura.
- O acordo também pode abrir caminho para o Daytime Emmy, caso a fusão entre academias seja concluída em 2027.
O Emmy Awards vai deixar a televisão aberta dos Estados Unidos depois de décadas de presença fixa nas grandes redes. A Academia de Televisão e o Prime Video anunciaram nesta terça-feira, 6 de outubro, um acordo de seis anos que torna o serviço de streaming da Amazon a casa exclusiva e global da premiação a partir da cerimônia de 2027.
O que muda a partir de 2027
Com o novo contrato, acaba o sistema de revezamento que alternava a transmissão do Emmy entre ABC, NBC, CBS e Fox, prática adotada desde 1995 e que havia garantido à premiação uma presença constante na TV aberta desde sua criação, em 1949. A última edição sob esse modelo foi exibida pela NBC no mês passado, com exibição simultânea no Peacock.
A partir da próxima cerimônia, toda a transmissão fica concentrada no Prime Video, que assume também a distribuição internacional do evento. Até então, os direitos fora dos Estados Unidos eram administrados separadamente pela Rainmaker Content, com exceção de Canadá e Austrália. No Brasil, a cobertura da edição mais recente ficou com a TNT e a HBO Max.
Negociação já era discutida desde setembro
As conversas entre a Academia e a Amazon não surgiram do nada. Já em setembro, a entidade havia confirmado publicamente que discutia o futuro dos direitos de transmissão do Emmy, enquanto o Prime Video aparecia como o principal nome cotado para assumir a premiação. O anúncio desta terça-feira confirma, portanto, um movimento que vinha sendo tratado pelo mercado como provável nas semanas anteriores à edição mais recente da cerimônia.
Gratuito mesmo sendo streaming pago
Apesar de o Prime Video funcionar por assinatura, a cerimônia do Emmy não ficará atrás de nenhuma barreira de pagamento. A transmissão ao vivo estará disponível de graça nos Estados Unidos e em mais de 240 países e territórios onde o serviço opera, segundo a Amazon. A premiação deve continuar sendo realizada em setembro.
A decisão de manter o acesso livre busca preservar o alcance de público que a premiação tinha na TV aberta, mesmo migrando para uma plataforma de assinatura.
Quanto vale o contrato
Os valores oficiais não foram revelados pelas partes, mas a Variety apurou, com fontes ligadas à negociação, que o Prime Video deve pagar cerca de US$ 15 milhões por ano pelos direitos globais do Emmy. O acordo anterior com as emissoras abertas rendia entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões anuais, mas cobria apenas os direitos domésticos dos Estados Unidos, sem incluir a distribuição internacional.
Cris Abrego, presidente da Academia de Televisão, confirmou que o novo contrato representa um investimento maior do que os anteriores, sem citar a cifra exata. Segundo ele, o compromisso de longo prazo elimina a necessidade de recomeçar, todo ano, o trabalho de divulgação e identidade visual que o rodízio entre emissoras exigia. Ele acrescentou que a entidade buscava justamente um compromisso e um investimento reais que permitissem construir e evoluir o formato da premiação ao longo do tempo.
O contrato firmado entre as duas partes é válido até 2032, o que dá à Amazon seis edições consecutivas da cerimônia sob exclusividade.
Mais conteúdo além da noite principal
O acordo também abre espaço para que outras cerimônias ligadas à Academia migrem para a plataforma. As duas noites dedicadas às categorias técnicas e artísticas, antes exibidas como especial editado pela FXX cerca de uma semana após o evento principal, podem passar a integrar a programação do Prime Video.
A ideia da Academia é transformar o Emmy em uma presença contínua ao longo do ano, com entrevistas, eventos institucionais e cerimônias do Hall da Fama preparando o público para a noite de premiação, em vez de concentrar tudo em uma única transmissão anual.
O que dizem os executivos sobre a parceria
Mike Hopkins, chefe do Prime Video e da Amazon MGM Studios, afirmou que a intenção é transformar a cerimônia em um evento global, usando a presença internacional da plataforma. Segundo ele, a ideia é celebrar produções e artistas de qualquer serviço de streaming, incluindo concorrentes diretos como Netflix, Disney+ e Apple TV+.
Hopkins disse acreditar que, passados os seis anos de contrato, tanto a Amazon quanto a Academia estarão satisfeitas com o resultado da parceria. Ele afirmou ainda que o objetivo é criar um impulso em torno do Emmy capaz de aumentar a audiência e despertar mais interesse do público ao longo de toda a temporada de premiações, e não apenas na noite da cerimônia.
Prime Video quer vitrine de todo o streaming
Hopkins lembrou que o Prime Video já revende assinaturas de serviços rivais por meio de seu sistema de canais, caso de HBO Max, Apple TV+, Paramount+ e Peacock. A aposta é que o espectador descubra uma série vencedora durante a transmissão do Emmy e assine a plataforma onde ela está disponível, fazendo da premiação uma espécie de vitrine para todo o mercado de streaming.
Fusão de academias pode levar outro prêmio à Amazon
Em paralelo ao acordo com o Prime Video, a Academia de Televisão avança em um processo de fusão com a National Academy of Television Arts and Sciences, responsável pelo Daytime Emmy, prêmio voltado às novelas americanas. Segundo Abrego, essa fusão pode ser concluída em meados de 2027, o que abriria caminho para que o Daytime Emmy também passasse a ser transmitido pela plataforma da Amazon, embora isso dependa de negociação própria.
O que marcou a última edição na TV aberta
A 78ª cerimônia, realizada em setembro e já encerrando o acordo com as redes tradicionais, teve Matthew Rhys como primeiro homem a vencer dois prêmios de atuação principal na mesma noite, alcançando o que a crítica chama de tríplice coroa da premiação. Jean Smart venceu por todas as temporadas de Hacks, Allison Janney somou o oitavo Emmy de atuação por A Diplomata, e Sally Field recebeu um troféu aos 79 anos. Rhea Seehorn conquistou seu primeiro Emmy por Pluribus.
A série Widow's Bay fechou a noite com 13 vitórias, puxada pela estreia premiada da atriz britânica Kate O'Flynn e pela indicação de Harrison Ford, aos 84 anos. Michael J. Fox voltou aos palcos após 13 anos para receber um prêmio humanitário, e Dolly Parton recebeu uma homenagem especial. O apresentador da noite foi Nicole Kidman, que teve sua abertura interrompida de forma bem-humorada, e Kaley Cuoco chorou ao ver o noivo Tom Pelphrey vencer uma categoria. No tapete vermelho, Zendaya chamou atenção com uma mudança radical no visual.
Participação brasileira cresce na premiação internacional
O diretor musical brasileiro Miguel Gandelman venceu na categoria de direção musical da edição mais recente. Já no Emmy International Awards, o Brasil somou nove indicações, ficando atrás apenas do Reino Unido entre os países mais indicados. A Globo lidera a lista nacional, com cinco indicações, entre elas a novela Garota do Momento e reportagens jornalísticas como Jornada da Vida, Retorno à Terra Yanomami, Feminicídio e Terceirão. A Netflix concorre com Baila, Vini, a Warner Bros. Discovery com Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, e a Red Bull com Passinho Foda: O Corre Por Trás da Dança.
Parte de uma mudança maior nas premiações ao vivo
O Emmy não é a única grande cerimônia dos Estados Unidos a abandonar a TV aberta por uma plataforma digital. O Oscar também vai encerrar sua ligação histórica com a ABC e passará a ser transmitido mundialmente pelo YouTube a partir de 2029. A Netflix já detém os direitos do SAG Awards, e o próprio Prime Video já transmite eventos esportivos e o Academy of Country Music Awards.
A mudança reflete a disputa crescente dos serviços de streaming pela transmissão de grandes eventos ao vivo, à medida que o público desloca o consumo de mídia das redes tradicionais para as plataformas digitais.
Fontes
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