Jeffrey Archer morre aos 86 anos um dia antes de lançar novo livro
Autor de mais de 300 milhões de livros vendidos faleceu em casa; romance Adam and Eve chega às livrarias ainda em outubro.
Em poucas linhas
- Jeffrey Archer morreu aos 86 anos nesta segunda-feira (5), segundo a editora HarperCollins
- O escritor vendeu mais de 300 milhões de livros em cinco décadas de carreira, incluindo Kane e Abel
- Seu último romance, Adam and Eve, tem lançamento previsto ainda para outubro
- Archer também teve carreira política e foi preso em 2001 por perjúrio e obstrução da Justiça
O escritor britânico Jeffrey Archer morreu aos 86 anos nesta segunda-feira (5), segundo comunicado divulgado pela editora HarperCollins. A informação foi confirmada pela BBC, pela CNN Portugal e por outros veículos. Archer faleceu em casa, de forma repentina, conforme descreveu a editora, horas depois de ter participado de um encontro com leitores em Londres no domingo.
A editora descreveu Archer como um mestre contador de histórias e afirmou que seus leitores significavam muito para ele. Kate Elton, presidente executiva da HarperCollins no Reino Unido e editora do autor, declarou que a equipe ficou devastada por perder um escritor que trouxe alegria a gerações de leitores e também um amigo.
Último romance chega às livrarias ainda este mês
Archer deixa um livro inédito. Segundo a HarperCollins, o romance Adam and Eve tem lançamento previsto ainda para outubro. Elton contou que, quando o autor começou a escrever o título, já havia avisado à editora que aquele seria seu último romance.
No Brasil, parte da obra de Archer já havia sido publicada em português, com títulos como Cara ou Coroa e Eis Aqui um Homem.
Carreira de cinco décadas e mais de 300 milhões de exemplares vendidos
Ao longo de aproximadamente cinquenta anos como escritor, Archer vendeu mais de 300 milhões de livros em todo o mundo, segundo dados divulgados por seu site oficial. Entre seus maiores sucessos estão Kane e Abel, lançado em 1979, e a saga As Crônicas de Clifton, composta por sete romances.
Nos últimos anos de carreira, o autor se dedicou à série William Warwick, centrada nas investigações de um policial britânico. Seu primeiro romance, Not a Penny More, Not a Penny Less, saiu em 1975 e nasceu de uma experiência pessoal: o colapso financeiro de uma empresa na qual Archer havia investido quase toda a sua fortuna.
Ao longo da carreira, Archer passou um total de cinco anos e meio nas listas de best-sellers do jornal americano The New York Times, um indicativo do alcance internacional de suas tramas de suspense ambientadas em cenários de política, negócios e alta sociedade.
Oxford, Weston-super-Mare e dezenas de títulos publicados
Nascido em 15 de abril de 1940, no norte de Londres, Archer se mudou ainda criança com a família para Weston-super-Mare, em Somerset. Ali, segundo relatos de sua trajetória, os pais compraram uma casa que havia pertencido à mãe do ator John Cleese. Formado pela Universidade de Oxford, iniciou a vida adulta na política antes de se consolidar como escritor.
Em mais de seis décadas dedicadas à literatura, Archer publicou dezenas de livros, somando mais de 25 romances, além de coletâneas de contos, diários escritos durante a prisão e também uma peça de teatro.
Da política ao estouro como autor
Archer chegou ao Parlamento britânico em 1969, aos 29 anos, eleito como deputado conservador. A passagem terminou em 1974, quando o colapso de uma empresa canadense de limpeza industrial na qual havia investido quase o levou à falência. Foi justamente essa crise financeira que o empurrou para a escrita como forma de pagar dívidas, e deu origem ao seu romance de estreia.
Em entrevista de 2001, Archer resumiu sua ambição desde cedo: segundo ele, quando tinha três anos queria ter quatro, e quando tinha quatro já queria ser primeiro-ministro.
Vice-presidência do partido e escândalo com prostituta
O sucesso como autor não afastou Archer da política. Ele usou suas conexões para arrecadar milhões de libras para o Partido Conservador, o que levou a então primeira-ministra Margaret Thatcher a nomeá-lo vice-presidente da legenda em 1985.
A passagem pelo cargo foi curta. Em 1986, Archer renunciou depois que se revelou que havia enviado 2 mil libras à prostituta Monica Coghlan. O escritor sempre disse que o valor tinha sido apenas uma forma de ajudá-la, e classificou o episódio como uma falta de discernimento.
Mesmo após a renúncia, Archer manteve prestígio político. Em 1992, o então primeiro-ministro John Major recomendou sua indicação para a Câmara dos Lordes, o que lhe garantiu assento na câmara alta do Parlamento britânico até sua aposentadoria, em 2024.
Festas e vida social em Londres
Mesmo distante dos holofotes do governo, Archer manteve relevância social por décadas. Ministros e celebridades frequentavam suas festas, conhecidas pelo cardápio de champanhe e torta de carne, realizadas em seu apartamento em Londres, decorado com obras de arte que incluíam quadros de Picasso e Matisse. Convidados que procuravam o banheiro no apartamento costumavam ouvir a orientação de que bastava passar pelo Picasso e virar à esquerda no Matisse.
Esse prestígio contrastava com os episódios que marcariam negativamente sua imagem pública nos anos seguintes, culminando no processo judicial que o levaria à prisão.
Processo por difamação que terminou em prisão
Em 1987, Archer processou o tabloide Daily Star depois que o jornal publicou que ele havia pago por sexo com uma prostituta. Ele venceu a ação e recebeu 500 mil libras de indenização, valor recorde para a época.
O caso voltou à tona mais de uma década depois, quando Archer tentava ser escolhido pelo Partido Conservador para concorrer à prefeitura de Londres, em 1999. Surgiram evidências de que um amigo, Ted Francis, havia fornecido um álibi falso para Archer durante o processo contra o tabloide. A revelação o forçou a abandonar a candidatura e provocou seu afastamento da legenda.
Em 2001, Archer foi julgado e condenado por perjúrio e obstrução da Justiça, recebendo pena de quatro anos de prisão. Cumpriu dois anos antes de ser libertado antecipadamente, em 2003, e usou o período na cadeia para escrever o livro A Prison Diary.
Diagnóstico de câncer e últimos anos de atividade
Em 2014, Archer revelou ter sido diagnosticado com câncer de próstata. Apesar da doença e dos escândalos que marcaram sua trajetória pública, ele manteve ritmo constante de produção literária e continuou participando de eventos com leitores.
Segundo o jornal britânico The Sun, Archer esteve em um encontro com fãs no Leicester Square Theatre, em Londres, no domingo, véspera de sua morte, ocasião em que autografou exemplares de seus livros. A agenda do autor incluía ainda compromissos para falar em eventos durante a semana em que morreu.
Repercussão da morte
A atual líder do Partido Conservador afirmou que a notícia da morte de Archer representou um grande choque. Já a HarperCollins, em comunicado, descreveu a partida do autor como algo ocorrido entre uma sessão de escrita e outra, reforçando que ele deixa um legado de histórias que acompanharam gerações de leitores ao redor do mundo.
Fontes
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