Márcio Bastos lança livro sobre o Vivencial no MAC-PE
Livro de Márcio Bastos resgata a trajetória do Vivencial e será lançado neste sábado, às 14h, no MAC-PE, em Olinda.
Em poucas linhas
- O livro de Márcio Bastos resgata a trajetória do grupo teatral Vivencial e sua ligação com a cena cultural e LGBTI+ de Pernambuco.
- O lançamento acontece no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, em Olinda, com bate-papo mediado por Schneider Carpeggiani.
- A obra sai pela Autêntica e integra a coleção Nossas Histórias, dedicada à resistência LGBTQI+ no Brasil.
- O autor relaciona o grupo a teatro, cinema Super-8, imprensa local e ao contexto da ditadura militar.
O jornalista e pesquisador Márcio Bastos lança neste sábado, em Olinda, o livro Lantejoulas no mangue, obra que reconstrói a história do Vivencial, grupo teatral pernambucano que virou referência cultural e política ao enfrentar a ditadura com corpos dissidentes, humor e experimentação.
A publicação sai pela Editora Autêntica e será apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, o MAC-PE, com bate-papo ao lado do jornalista Schneider Carpeggiani. O livro entra na coleção Nossas Histórias, dedicada a marcos da resistência LGBTQI+ no país.
Como nasceu a pesquisa sobre o Vivencial
Na apuração, Bastos parte da estreia da primeira montagem do grupo, em maio de 1974, nas dependências do Mosteiro de São Bento, depois de semanas de ensaio na Igreja da Boa Hora. A peça dirigida por Guilherme Coelho surpreendeu o público por se afastar de qualquer expectativa religiosa e apresentar críticas à Igreja, celebração da fé afro-brasileira e presença de corpos dissidentes em cena.
O autor usa esse ponto de partida para mostrar como o Vivencial nasceu dentro de um ambiente religioso e, ao mesmo tempo, se tornou uma força transgressora no teatro pernambucano. A trajetória atravessa o período da ditadura militar e ajuda a entender por que o coletivo passou a ocupar um lugar central na memória cultural do estado.
Segundo Bastos, a complexidade histórica da época também aparece no papel de religiosos progressistas no enfrentamento à repressão, como dom Helder Câmara, citado por ele como liderança importante em Pernambuco. A leitura do livro, assim, não fica restrita ao palco e alcança a relação entre fé, política e cultura no período.
O que o livro recupera da trajetória do grupo
A partir do primeiro espetáculo, o Vivencial emplacou mais de três dezenas de montagens até 1983. Esse conjunto de trabalhos ajudou a consolidar uma estética própria, marcada pela colaboração entre artistas, pela centralidade do corpo e pelo uso da improvisação como método de criação.
Entre os desdobramentos registrados por Bastos está a filmagem de cenas do espetáculo inicial pelas ruas de Olinda pelo cineasta e escritor Jomard Muniz de Brito, em curta gravado em Super-8. O autor destaca que esse material integra uma série de 13 curtas feitos por Jomard com o grupo, colaboração que ajudou a dar forma a um cinema autoral pernambucano.
O livro também recupera a abertura da casa sede do coletivo, o Vivencial Diversiones, em 1978, em Olinda. Foi ali que o grupo ganhou visibilidade maior, passou a receber artistas de outras partes do país e consolidou sua circulação entre teatro, performance, cinema e boemia cultural.
Por que Caetano Veloso aparece nessa história
Em um dos episódios reunidos no livro, Jomard leva Caetano Veloso para assistir às apresentações do grupo durante a turnê de Muito, em 1979. Bastos conta que a visita impressionou o cantor baiano, que já era um dos nomes centrais do Tropicalismo, uma das referências estéticas do coletivo pernambucano.
O autor usa esse encontro para situar o Vivencial numa rede maior de ideias e experimentações que circulavam naquele momento. Ele relaciona o grupo à psicodelia pernambucana, às artes visuais de Paulo Bruscky e ao cinema Super-8, apontando que a energia criativa do período também se manifestava fora do eixo Rio São Paulo.
O livro sustenta que o coletivo ocupava um espaço “entre” as formas mais rígidas do teatro local. Ao misturar referências do Teatro Oficina, dos Dzi Croquettes, do Teatro do Oprimido, do pop, do rock e da cultura popular pernambucana, o Vivencial escapava das linhas dominantes então representadas pelo Teatro de Amadores de Pernambuco e pelo Teatro Popular do Nordeste.
Quem foi o nome mais lembrado do Vivencial
Márcio Bastos dedica atenção especial a Roberto França, o Pernalonga, figura destacada do grupo e também tema de um livro anterior do autor, publicado pela Cepe. No novo título, ele aparece como um ícone para a comunidade LGBTI+ e como presença decisiva na influência que o Vivencial exerceu sobre artistas que circularam entre teatro, shows de dublagem, boates e saunas nas décadas de 1970 e 1980.
O jornalismo e a pesquisa do autor tratam o Vivencial como mais do que um grupo de palco: um polo de formação estética e de afirmação de identidades marginalizadas. É nesse ponto que a obra ganha interesse para leitores de livros, história cultural e memória da diversidade no Brasil.
Bastos também relaciona o grupo ao surgimento de obras populares da cultura pernambucana, como Cinderela - A História Que Sua Mãe Não Contou, apontando semelhanças de linguagem, caricatura e estética periférica entre a peça e a experiência vivencial.
O papel da imprensa local na memória do grupo
O autor afirma que a cobertura jornalística foi decisiva para registrar a trajetória do Vivencial e ampliar sua visibilidade. Segundo ele, o Diario teve importância central na pesquisa, tanto por documentar a caminhada do coletivo quanto por participar da construção pública de sua imagem na época.
Essa relação entre imprensa e movimento cultural é uma das camadas mais relevantes do livro. Bastos sugere que o registro jornalístico ajudou a formar uma memória compartilhada sobre o grupo, algo especialmente importante para uma cena marcada pela marginalização de artistas LGBTI+.
A obra, nesse sentido, não se limita a reunir episódios pitorescos. Ela apresenta o Vivencial como parte de um processo mais amplo de afirmação política e estética, no qual teatro, imprensa e cultura pop caminharam juntos na construção de visibilidade.
Quando é o lançamento e onde encontrar o livro
O evento de lançamento está marcado para o MAC-PE, em Olinda, com entrada gratuita. A apresentação inclui conversa com o autor e o jornalista Schneider Carpeggiani, em uma atividade pensada para ampliar a discussão sobre o lugar do Vivencial na história cultural pernambucana.
Quem quiser acompanhar a novidade pode procurar a obra pela Editora Autêntica, responsável pela publicação. Como a informação de venda no varejo não foi detalhada pelas fontes, o mais seguro é acompanhar os canais da editora e do evento para verificar disponibilidade logo após a apresentação.
O livro chega em um momento de interesse renovado por narrativas que resgatam a história da resistência LGBTQI+ no Brasil. No caso de Lantejoulas no mangue, o foco está em Pernambuco e em um grupo que fez da cena teatral um espaço de invenção, enfrentamento e memória.
O que essa publicação acrescenta à cena de livros
Entre as obras recentes sobre cultura e diversidade, o título de Bastos se destaca por cruzar pesquisa histórica, jornalismo e crítica cultural. Não se trata apenas de recuperar um grupo do passado, mas de mostrar como sua estética continuou reverberando em outras linguagens e artistas.
A publicação também ajuda a reposicionar o Vivencial no debate sobre teatro brasileiro. Ao reuni-lo com cinema, imprensa, música e movimentos de afirmação identitária, o livro amplia a leitura sobre o que foi criado em Pernambuco durante a ditadura e sobre como essa produção segue influenciando a cultura local.
Para o leitor de livros, a novidade está menos em uma biografia linear e mais no retrato de um ecossistema artístico. É essa rede, feita de palco, rua, boate, jornal e memória, que o lançamento de sábado coloca em circulação novamente.
Perguntas frequentes
Quando acontece o lançamento?
O lançamento será neste sábado, às 14h.
Onde será o evento?
No Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, em Olinda.
Quem assina o livro?
O autor é o jornalista e pesquisador Márcio Bastos.
Qual editora publica a obra?
A publicação sai pela Editora Autêntica.
Fontes
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