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Sussurros na Água é o único brasileiro na Intimacy Competition

Curta documental de Ji-Paraná estreia na Suíça e entra como único brasileiro e latino-americano na mostra competitiva.

· 6 min de leitura
Sussurros na Água é o único brasileiro na Intimacy Competition
Foto: Otavio Fonseca / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em poucas linhas

  • Curta de Ji-Paraná terá estreia mundial em Basel, na Suíça.
  • Filme entra como único brasileiro e único latino-americano da Intimacy Competition.
  • Obra acompanha dois homens e usa água como eixo simbólico da narrativa.
  • Festival reúne cinema, oficinas e debates sobre gênero, sexualidade e corpo.

Sussurros na Água, curta documental produzido em Ji-Paraná, em Rondônia, terá estreia mundial em Basel, na Suíça, na noite de 9 de outubro. O filme entra na mostra competitiva Intimacy Competition do Lust*streifen Film Festival Basel como a única produção brasileira e a única da América Latina na disputa.

Quando a estreia acontece e em qual mostra o filme entra

A primeira exibição pública do curta está marcada para a programação do festival na cidade suíça, que reúne atividades entre 8 e 11 de outubro. A sessão de abertura ocorre na noite anterior, e a premiação fica para o encerramento do evento.

O filme foi selecionado para a Intimacy Competition, uma categoria voltada a obras que tratam de intimidade. Dentro desse recorte, a produção rondoniense aparece ao lado de trabalhos de Colômbia, Índia, França, Espanha, Alemanha, Bélgica, Austrália, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos.

A presença de uma obra feita no interior da Amazônia em uma seleção com alcance internacional coloca o curta em uma vitrine rara para produções regionais brasileiras. As fontes não indicam exibição em salas comerciais, nem lançamento em plataforma no momento da estreia.

O que é o festival de Basel

O Lust*streifen Film Festival Basel chega à 19ª edição com o tema Bodies in Solidarity, formulado como Corpos em Solidariedade. A proposta do evento é ampliar a visibilidade de histórias LGBTQIA+ no cinema e abrir espaço para debates sobre gênero, sexualidade e corpo.

Além das sessões de filmes, a programação inclui oficinas, rodas de conversa e outras atividades relacionadas ao tema da edição. A mostra competitiva também contempla curtas suíços e internacionais, o que reforça o caráter de circulação entre cinematografias distintas.

No conjunto do festival, a Intimacy Competition funciona como espaço de diálogo entre obras que investigam afetos, vínculos e formas de aproximação humana. É nesse ambiente que o curta de Rondônia passa a ser lido fora do contexto local de produção.

Qual história o curta acompanha

O documentário mostra dois homens em uma relação marcada pelo desejo, mas atravessada pela dificuldade de construir intimidade para além dos encontros sexuais. A narrativa acompanha a tensão entre presença física e distância emocional.

O foco está nos sentimentos que aparecem quando a relação não consegue avançar no ritmo esperado por um dos lados. Solidão, expectativa, frustração e a busca por uma conexão mais profunda entram como elementos centrais da trama.

Em vez de transformar a história em um relato abstrato sobre relacionamento, o curta observa situações concretas da convivência entre os personagens. O interesse da obra está no que falta, no que é silencioso e no que ainda não se consolidou entre eles.

Como a água organiza a narrativa

A água surge como um dos principais elementos do filme. Rios e chuvas, tão presentes na vida de quem cresce na Amazônia, são usados para representar acolhimento e transformação, além de acompanhar as mudanças emocionais dos personagens.

Esse recurso aproxima a história da paisagem de onde ela nasceu sem limitar o curta ao registro do território. A água funciona como imagem de passagem, como se o filme observasse um vínculo que tenta se mover, mas ainda não encontra forma estável.

Ao associar a intimidade dos personagens a elementos naturais da região, a obra cria uma ligação direta entre ambiente e afeto. O resultado é uma narrativa em que o espaço não serve apenas de fundo, mas participa do sentido da história.

Quem fez o filme e como ele foi criado

O curta foi dirigido por Otavio de Sousa e construído em parceria com Cristiam Velozo, que também participa da história. A relação entre os dois integra o próprio processo de criação da produção.

As fontes indicam que o filme utiliza experiências e elementos pessoais para montar sua narrativa. Isso ajuda a explicar o caráter íntimo da obra, que nasce de uma colaboração marcada por vivência compartilhada e construção conjunta.

Produzido em Ji-Paraná, o trabalho chega ao circuito internacional sem perder a identidade do lugar de onde veio. A trajetória do curta mostra como uma produção feita fora dos grandes centros pode alcançar um festival voltado a discussões sensíveis e contemporâneas.

Por que a seleção chama atenção para Rondônia

A escolha de Sussurros na Água amplia a circulação do cinema produzido em Rondônia e projeta uma obra feita no interior da Amazônia para um público estrangeiro. A seleção também coloca o estado em uma conversa internacional sobre intimidade, desejo e acolhimento.

Outro ponto relevante é a posição ocupada pelo filme dentro da categoria: além de ser o único brasileiro, ele representa também toda a América Latina na disputa. Esse dado ajuda a dimensionar o espaço alcançado pela produção na curadoria do festival.

O interesse da seleção não está só na origem geográfica do curta, mas no encontro entre território e tema. A história de dois homens, atravessada por solidão e desejo de conexão, dialoga com o foco do evento em corpos, vínculos e diversidade sexual.

O que já está definido depois da estreia

Até aqui, o que está confirmado é a presença do filme na programação suíça e sua participação na mostra competitiva. As fontes consultadas não informam novos circuitos, datas de lançamento posteriores ou distribuição em streaming.

O próximo passo imediato é a exibição internacional, que marca a primeira vez em que a obra será apresentada ao público. Depois disso, a trajetória dependerá da circulação construída pelos realizadores a partir do festival.

Para o cinema feito em Rondônia, a passagem por Basel já representa um momento de visibilidade fora do país. Para o festival, o curta entra como uma obra latino-americana que amplia a diversidade da seleção e leva para a tela uma experiência afetiva ligada à Amazônia.

O que o leitor pode esperar da programação

Quem acompanha a agenda do evento encontra uma estrutura que vai além da competição. As sessões se misturam a debates e oficinas, o que dá ao festival um perfil de encontro entre exibição e reflexão.

Na prática, isso significa que o curta não aparece isolado, mas integrado a uma programação pensada para discutir as formas como o cinema trata intimidade e sexualidade. Essa moldura ajuda a entender por que a seleção do filme faz sentido dentro do tema desta edição.

Também por isso a estreia em Basel importa para além da curiosidade em torno do título. A obra passa a circular em um espaço onde o debate sobre corpos e relações é parte da experiência do festival, e não apenas um complemento da sessão.

Perguntas frequentes

Onde será a estreia de Sussurros na Água?
Em Basel, durante o Lust*streifen Film Festival Basel.

Em qual categoria o curta foi selecionado?
Na Intimacy Competition, voltada a obras sobre intimidade.

O filme tem exibição confirmada no Brasil?
As fontes não informam sessão brasileira nem lançamento comercial.

O curta tem outros representantes latino-americanos na categoria?
Não, ele é o único da América Latina na competição.

O festival trata de quais temas?
Histórias LGBTQIA+, gênero, sexualidade e corpo.

Fontes

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